terça-feira, 7 de junho de 2016

Lista de Verificação por Requisitos (ISO 9001:2015)

Há várias formas de criar uma lista de verificação. E esta é normalmente muito pessoal de cada auditor e de cada auditoria.


Pessoalmente, e como auditora interna numa organização, opto por uma lista de verificação por processos / procedimentos. É uma análise mais detalhada e que, na minha opinião faz sentido apenas quando utilizada por alguém que já conhece bem a organização e o seu funcionamento. 

Contudo (é importante ressalvar) que para garantir que todos os requisitos são auditados pelo menos uma vez por ano (e por outras razões, como por exemplo a independência das atividades a auditar), pelo menos uma vez por ano recorremos ao serviço de um auditor independente.

Mas neste caso é diferente. 

Estamos a planear a transição para a nova versão da ISO 9001, a versão de 2015. 

E o objetivo principal é assegurar que cumprimos com todos os requisitos da norma e teremos uma transição sem sobressaltos. Por este motivo desta vez a opção recaiu numa lista de verificação por requisitos.

Para cada requisito (sendo que por vezes os agrupei por temas), coloquei algumas questões. - Aquelas que não poderei deixar de verificar - Coloquei também algumas das não conformidades mais frequentes no requisito em questão. Desta forma consigo minimizar a possibilidade de me esquecer de alguma coisa importante.

Este é um método muito pessoal, e que naturalmente nem todos os auditores concordarão. Confesso que, sendo esta a minha primeira transição, também estou ansiosa para ver como corre, e principalmente, ansiosa por ver o resultado final: certificação ou um monte de não conformidades!



Esta lista de verificação ficou um pouco extensa: 27 páginas. Com tanta página, a probabilidade de me perder lá pelo meio é grande! 
Por isso já identifiquei, para cada requisito, qual o processo onde o irei auditar. E para facilitar a navegação na lista, vou utilizar o portátil ou o Ipad e recorrer à pesquisa pelo nome do processo em função da necessidade!

A ideia parece-me boa... agora vamos ver se funciona!

Bom trabalho!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

SWOT – Uma ferramenta de análise de contexto (Req. 4.1)


Tal como referido neste post, vamos agora aprofundar um pouco mais a análise SWOT. Recordo que este é o resultado da minha pesquisa no âmbito da transição da ISO 9001 para a versão 2015, mas que partilho com todo o prazer na esperança de que possa ser útil a mais alguém!


O que é a matriz SWOT?


A matriz SWOT é uma ferramenta de gestão, de fácil aplicação devido à sua simplicidade, amplamente utilizada nas empresas para a definição da estratégia. SWOT significa Forças (S - Strengths), Fraquezas (W - Weaknesses), Oportunidades (O - Opportunities) e Ameaças (T - Threats).



A análise SWOT permite distinguir o ambiente interno - (fatores e realidades internas - forças e fraquezas) e o ambiente externo (fatores e aspetos futuros - oportunidades e ameaças) da organização.


A identificação do ambiente interno e externo é de extrema importância para estabelecimento de estratégias e definição de prioridades, bem como para decidir qual a direção a tomar de forma a atingir o objetivo, tendo sempre sob um olhar crítico, as ameaças.


A empresa dever averiguar quais são as suas SWOT, e como geri-las de forma a maximizar os seus resultados?


As forças e as fraquezas são uma representação do momento presente. 

Por outro lado...

as oportunidades e as ameaças representam o que a organização espera do futuro. 


Deste modo, a análise SWOT deve relacionar as forças com as oportunidades e as fraquezas com as ameaças.

Por exemplo, se a empresa identificou como uma das suas forças a sua capacidade de captar novos clientes no mercado e se vê uma oportunidade de crescimento económico elevado no seu mercado, poderá estar perante uma estratégia de crescimento de elevado potencial.
Mas... se a empresa reconhece uma fraqueza por não dispor ainda de uma determinada tecnologia que o mercado e os concorrentes estão rapidamente a adotar (o que seria uma ameaça), deverá procurar uma solução para minimize ou elimine os seus efeitos.

Como implementar?


1º: Análise Externa

Comece por pensar nos fatores externos que influenciam a organização. A análise externa corresponde às principais perspetivas de evolução do mercado em que a empresa atua. São fatores provenientes do Mercado e do Meio Envolvente – decisões e circunstâncias fora do controlo direto da empresa, das quais se deve tirar partido, ou proteger, quando necessário.



Opportunities














Aspetos positivos da envolvente, com impacto significativo no negócio da empresa.

Exemplo:
  • Onde estão as boas oportunidades de negócio?
  • Existem condições vantajosas de trabalho?
  • Existe um espaço disponível no mercado para mais uma empresa?
  • Quais são as tendências mais interessantes?
  • O Consumidor necessita de um produto como o seu?



Threats










Aspetos negativos da envolvente, com impacto significativo no negócio da empresa.

Exemplo
  • Quais são os obstáculos a vencer?
  • O que está a fazer a sua concorrência?
  • O músculo financeiro é suficiente?
  • A fidelização dos clientes é muito forte?
  • Pode alguma das suas fraquezas ameaçar seriamente o negócio?
  • Existe estabilidade política e económica para investir?


Este levantamento pode ser feito através de um brainstorming com os responsáveis da organização. O resultado desta análise deve conter informação relativa a:

Meio Envolvente: Económica; Demográfica; Tecnológica; Político-legal; Sociocultural;

Mercado: Características Genéricas, tais como a dimensão total, os circuitos de distribuição existentes, etc., e Decomposição do Mercado em Segmentos, onde pode por vezes detetar novos segmentos de mercado que podem constituir uma boa oportunidade para a sua empresa;

Concorrência: Características Genéricas da Estrutura Concorrencial e Identificação das Forças e Fraquezas dos principais concorrentes;

Clientes/Consumidores: Caracterização com o maior grau de profundidade cada segmento de mercado como: características, hábitos de compra, atributos mais valorizados no ato da compra, etc.

Por fim, identifique os principais fatores dentro de cada tema, e ordene-os principais por importância.



2º: Análise Interna

Reúna os fatores internos com importância para o negócio, ou seja, os aspetos que diferenciam a empresa ou o(s) produto(s) dos seus concorrentes.


Strenghts













Vantagens internas da empresa ou produto(s) em relação aos seus principais concorrentes. 

Exemplo
  • Quais as vantagens da sua empresa? E do seu produto?
  • O que faz melhor do que os outros?
  • Quais são os seus principais fatores de diferenciação?
  • Quais são os seus recursos únicos para conseguir preços mais competitivos?
  • O que pensa o seu mercado e a sua concorrência serem os seus pontos fortes?
  • Qual a capacidade de reação da sua força de vendas?



Weaknesses








Desvantagens internas da empresa ou produto(s) em relação aos seus principais concorrentes.

Exemplo
  • O que pode ser aperfeiçoado?
  • O que pode ser anulado?
  • O que pensa o seu mercado e a sua concorrência serem as suas fraquezas?
  • Possui meios suficientes para as tarefas que pretende atingir?


No final da análise SWOT defina as relações existentes entre os pontos fortes e fracos com as tendências mais importantes que se verificam na envolvente da empresa, seja ao nível do mercado global, do mercado específico, da conjuntura tecnológica, social e demográfica, da conjuntura económica e das imposições legais.

À semelhança do que foi feito na análise externa, identifique os principais fatores dentro de cada tema, e ordene-os principais por importância.

Após listados os principais fatores (internos) que podem influenciar o seu negócio, classifique-os como pontos fracos (desvantagens internas da empresa ou produto em relação aos seus principais concorrentes) e pontos fortes (vantagens internas da empresa ou produto em relação aos seus principais concorrentes).



3º: Construção da análise SWOT e faça a sua análise


Identificação e análise dos principais Pontos Fortes, Pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças, separadamente.

 
Nesta fase deverá identificar o impacto que estes fatores têm no negócio. Comece assim por identificar qual o grau de impacto que cada fator tem sobre a sua empresa ou produto (classifique utilizando uma escala: elevado impacto, médio impacto, reduzido impacto).


De seguida identifique a tendência futura que estes fatores têm no seu negócio. Um fator que hoje tem um determinado nível de impacto no seu negócio pode no futuro, previsivelmente, vir a aumentar ou diminuir o seu impacto no curto/médio prazo. Depois de classificado o impacto atual de cada fator, procure identificar determinantes que podem alterar o grau de impacto desse fator (tendência a aumentar, tendência a manter, tendência a diminuir).

 
Resuma a informação trabalhada nas etapas anteriores num mapa único, à semelhança de apresentado.
  

Pontos Fortes (S)
Impacto no Negócio
Tendência
Elevado
Médio
Fraco
Melhorar
Manter
Piorar









Pontos Fracos (W)
Impacto no Negócio
Tendência
Elevado
Médio
Fraco
Melhorar
Manter
Piorar









Oportuni-
dades (O)
Impacto no Negócio
Tendência
Elevado
Médio
Fraco
Melhorar
Manter
Piorar









Ameaças (T)
Impacto no Negócio
Tendência
Elevado
Médio
Fraco
Melhorar
Manter
Piorar








As conclusões retiradas de uma análise SWOT devem debatidas e analisadas pela gestão de topo, de modo a que sejam definidas as ações necessárias, definindo objetivos, prazos e responsabilidades.

Todas as evidências desta análise deverão ser mantidas para evidência do trabalho que foi desenvolvido.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Pré-Auditoria ISO 9001:2015

Brevemente será realizada uma pré-auditoria aos requisitos da ISO 9001:2015. Esta auditoria tem como objetivo contribuir para a GAP Analisys, ou seja, identificar as lacunas do atual Sistema de Gestão da Qualidade aos olhos da nova norma. 

Contrariamente ao que tenho vindo a fazer, a lista de verificação desta auditoria não será baseada em processos e procedimentos, ma sim em requisitos. 




Agora o trabalho de casa será será a preparação da lista de verificação. Um documento bem preparado será meio caminho andado para o sucesso desta auditoria. Nada como analisar previamente os requisitos, e saber exatamente o que é expectável encontrar, bem como os desvios possíveis.

Como resultado, desta vez não teremos Não Conformidades ou Oportunidades de Melhoria. 
Vamos ter Constatações. 
E vamos ter um prazo para as tratar. 
Se o prazo não for cumprido, aí sim, a coisa pode começar a complicar. 

O prazo para a transição é apertado, e infelizmente a Qualidade, por muito importante que seja, nem sempre é uma prioridade como nós, auditores, gostaríamos....

terça-feira, 31 de maio de 2016

Como responder ao Requisito 4.1 – Organização e Contexto?


Com a nova versão da ISO 9001, a versão 2015, uma das novidades que temos é a compreensão do contexto da organização, que nos é pedido pelo requisito 4.1 (compreender a organização e o seu contexto). 

Mas como podemos fazer isto? 

E mais, quem deverá levar a cabo esta análise?

Há várias metodologias que já estão a ser utilizadas nas empresas um pouco por todo o mundo. Contudo há algumas que parecem prevalecer. Vejamos por exemplo as metodologias SWOT, PESTEL, e para fechar, o princípio KISS.


  • ANÁLISE SWOT




Em Português também por vezes designada de FOFA (Forças-Oportunidades-Fraquezas-Ameaças).

A análise SWOT é uma ferramenta de gestão utilizada pelas empresas como forma de diagnóstico e de análise do ambiente. Este tipo de análise permite:
  • Ter uma visão interna e externa do negócio;
  • Identificar elementos-chave para a gestão da empresa, permitindo definir prioridades de atuação;
  • Obter um diagnóstico global da empresa, ou seja, identificar os pontos positivos e pontos críticos ou as falhas mais importantes e que devem ser controladas;
  • Definir estratégias para mitigar os riscos identificados.


As conclusões de uma análise SWOT devem ser debatidas e analisadas perante os decisores da organização, de modo a que conduzam à implementação de medidas concretas, com objetivos, prazos e responsabilidades claramente definidos. Só assim esta ferramenta será uma mais-valia para a organização.

Haverá novo post só dedicado à análise SWOT.


  • ANÁLISE PESTEL

Esta metodologia permite uma boa compreensão da natureza da organização, regra geral, determinando:
  • O que a organização faz;
  • O seu tamanho e a distribuição;
  • A sua gestão e estruturas de comunicação;
  • Local onde decorem as atividades;
  • Sob que regime de regulamentação opera.




Esta análise permite examinar de forma geral o ambiente envolvente, o que inclui a compreensão de fatores-chave e tendências da sociedade envolvente. 

Vejamos cada uma das suas vertentes: 
  • Fatores políticos – Inclui elementos como política governamental bem como o seu nível de intervenção.
  • Fatores económicos – Inclui elementos como taxas de juro, crescimento económico, inflação, custos de trabalho, taxas de desemprego, etc.
  • Fatores sociais – Inclui tendências demográfica, tal como a dimensão da população, idades, diversidade sociocultural, níveis de educação, saúde, etc.
  • Fatores tecnológicos – Inclui, por exemplo, impacto da tecnologia emergente, impacto do aumento da automatização, etc.
  • Fatores Ambientais – Inclui por exemplo padrões climáticos ou desastres ambientais.
  • Fatores Legais – Inclui qualquer enquadramento legal que possa de alguma forma afetar a organização (como por exemplo, saúde e segurança, descriminação, etc.)


Com esta análise teremos uma boa fotografia do panorama geral da empresa, considerando fatores internos e externos. Contudo, e como vemos pelos pontos analisados em cada uma, esta é um pouco diferente da análise SWOT, pelo que uma análise combinada das duas metodologias, poderá ser uma boa opção para quem quiser ir um pouco mais além no momento de responder ao requisito 4.1 da nova ISO 9001.


  • PRINCÍPIO KISS


Qualquer uma das metodologias referidas anteriormente deve ser utilizada, sempre que possível, com recurso simultâneo ao seguinte princípio: KISS

Há várias definições para este acrónimo, sendo o “Keep it Simple, Stupid” o mais comum.
Pessoalmente prefiro o Keep it Short and Simple. Mas no fundo, o princípio é exatamente o mesmo!
A ideia-chave é que não é necessário complicar para que funcione! Porque a complexidade desnecessária não acrescenta valor e logo devera ser evitada.

Simplifiquem o vosso trabalho, simplifiquem a transição. A qualidade não tem que ser complicada. Tem, sim, que funcionar.




sexta-feira, 10 de julho de 2015

ISO 9001 - Última fase da revisão

A ISO 9001 entra na última fase de revisão. Fique a par das novidades no site da ISO.


Esta é a última fase antes da publicação oficial que deverá acontecer ainda este ano.
Já começou a preparar-se para as mudanças que aí vêm?

Para mais informação sobre a nova ISO 9001 consulte também estes posts:

NOVOS REQUISITOS PARTE 1


NOVOS REQUISITOS PARTE 2



NOVOS REQUISITOS PARTE 3



NOVOS REQUISITOS PARTE 4